A população empregada em Portugal tem vindo a crescer de forma consistente desde o início de 2013 como mostra o gráfico segundo dados divulgados pelo INE. A conjuntura tem sido favorável. As baixas taxas de juro ajudadas pelo BCE, o QE, o preço relativamente baixo do petróleo e um período pós-crise favorecem a economia portuguesa.
Nada resulta de mudanças profundas ou "reformas" do mercado laboral. A única mudança que aconteceu foi o aumento significativo do turismo que tem permitido a Portugal um saldo positivo da balança comercial (quando somados balança comercial de serviços + balança comercial de bens). O problema é que a balança comercial de bens continua deficitária em Portugal o que anula de maneira importante o bom comportamento da balança comercial de serviços.
O que encontrar neste blog expressa a opinião do seu autor e não deverá ser entendido como uma recomendação de compra ou venda ou uma sugestão de investimento.
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sábado, 6 de maio de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
BCP - o maior problema na banca nacional
O BCP decidiu fazer um aumento de capital para poder devolver ao estado os cocos e cumprir os critérios apertados de rácios de capital. Pois bem, não é para investir ou reestrutar alguma coisa. Não é para investir noutros mercados. É para fazer face ao crédito malparado que é colossal e para manter a cabeça fora da água.
Não há qualquer tipo de novidade. O aumento de capital não é uma solução. É, sim, o adiar dos problemas que serão inevitáveis.
Veremos se no fim da história, não será o contribuinte a pagar pela má gestão.
Não há qualquer tipo de novidade. O aumento de capital não é uma solução. É, sim, o adiar dos problemas que serão inevitáveis.
Veremos se no fim da história, não será o contribuinte a pagar pela má gestão.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
A evolução do PIB na zona Euro
O gráfico mostra tudo...
A estratégia para o crescimento não tem sido a melhor há muitos anos. Na cauda da europa...
A estratégia para o crescimento não tem sido a melhor há muitos anos. Na cauda da europa...
sábado, 24 de dezembro de 2016
Evolução do DAX, IBEX & PSI
Fica aqui a evolução de 3 mercados europeus, o DAX, o IBEX e o PSI. A 5 anos...
o mercado alemão à frente do mercado espanhol e do português.
A 1 ano...
verifica-se que a partir de meados do ano, as diferenças acentuaram-se.
Pode deduzir-se que o mercado alemão no longo e médio prazo é muito mais interessante do que o espanhol e o português.
Por enquanto, Portugal não atrai investidores apesar de tudo parecer bem quando se ouvem as notícias. Já quando se olham para números, a coisa muda muito.
Boas festas a todos...
o mercado alemão à frente do mercado espanhol e do português.
A 1 ano...
verifica-se que a partir de meados do ano, as diferenças acentuaram-se.
Pode deduzir-se que o mercado alemão no longo e médio prazo é muito mais interessante do que o espanhol e o português.
Por enquanto, Portugal não atrai investidores apesar de tudo parecer bem quando se ouvem as notícias. Já quando se olham para números, a coisa muda muito.
Boas festas a todos...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
O BCP fez novo mínimo histórico!
O BCP fechou hoje a 1.09 euros!
Constitui um novo mínimo histórico em fecho. Tudo permanece miserável neste banco. Como já tinha escrito neste artigo, as soluções são urgentes. Os políticos em Portugal estão mais preocupados com o seu futuro político e com o futuro da CGD querendo manter um banco público custe o que custar, pois isso permite-lhes manter mais facilmente o controlo da banca.
Os políticos na Europa não querem também mexer nisto. Bastam já os problemas com a banca italiana e as eleições em França e na Alemanha, ambas em 2017.
Associado a isto, a intervenção massiva do BCE mantém alguma serenidade antes da tempestade. Este conjunto de fatores fazem com que não se queira mexer mais em problemas da banca europeia a menos que seja inevitável. Enquanto isso, o BCP vai morrendo aos poucos.
Constitui um novo mínimo histórico em fecho. Tudo permanece miserável neste banco. Como já tinha escrito neste artigo, as soluções são urgentes. Os políticos em Portugal estão mais preocupados com o seu futuro político e com o futuro da CGD querendo manter um banco público custe o que custar, pois isso permite-lhes manter mais facilmente o controlo da banca.
Os políticos na Europa não querem também mexer nisto. Bastam já os problemas com a banca italiana e as eleições em França e na Alemanha, ambas em 2017.
Associado a isto, a intervenção massiva do BCE mantém alguma serenidade antes da tempestade. Este conjunto de fatores fazem com que não se queira mexer mais em problemas da banca europeia a menos que seja inevitável. Enquanto isso, o BCP vai morrendo aos poucos.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Acima de 4%, o peso da dívida é brutal
Há cerca de 2 semanas que as taxas de juro a 10 anos da República Portuguesa estão acima dos 3.5%. Se continuar acima desses 3.5%, a situação está no limite. Acima dos 4% de maneira duradoura e começarão os verdadeiros problemas para Portugal dado o peso da dívida no crescimento.
Por enquanto, nem os agentes políticos portugueses, nem os políticos europeus nem o povo português querem falar do assunto. O muro está mesmo à frente e toda a gente faz de conta que não o vê. Arranja toda a gente. A realidade virá ao de cima. É só uma questão de tempo...
Por enquanto, nem os agentes políticos portugueses, nem os políticos europeus nem o povo português querem falar do assunto. O muro está mesmo à frente e toda a gente faz de conta que não o vê. Arranja toda a gente. A realidade virá ao de cima. É só uma questão de tempo...
terça-feira, 15 de novembro de 2016
O Pib subiu 1.6% em termos homólogos
Boas noticias surgiram hoje. As estimativas rápidas do PIB para o terceiro trimestre revelam um crescimento de 1.6% em termos homólogos. Ficamos a saber que provavelmente, o crescimento do ano se encontrará algures acima do crescimento de 2014 mas abaixo do de 2015. Só com estes dados é dificil perceber qual é a tendência de longo prazo.
O que se verifica é uma grande volatilidade nas taxas de crescimento. Ora, positivo, ora negativo sendo que os crescimentos negativos são mais curtos e violentos que os períodos de crescimento positivos.
Resumo: verifica-se que o crescimento em Portugal é anémico há vários anos. Provavelmente, continuará assim enquanto não houver uma política clara durante um horizonte temporal significativo. Falta uma estratégia global e uma visão de longo prazo. A clivagem de políticas é agora mais significativa entre os 2 principais partidos em Portugal pelo que esse programa de longo prazo é ainda menos provável que nos anos anteriores.
E entretanto a bolha da dívida pública continua... até explodir
O que se verifica é uma grande volatilidade nas taxas de crescimento. Ora, positivo, ora negativo sendo que os crescimentos negativos são mais curtos e violentos que os períodos de crescimento positivos.
Resumo: verifica-se que o crescimento em Portugal é anémico há vários anos. Provavelmente, continuará assim enquanto não houver uma política clara durante um horizonte temporal significativo. Falta uma estratégia global e uma visão de longo prazo. A clivagem de políticas é agora mais significativa entre os 2 principais partidos em Portugal pelo que esse programa de longo prazo é ainda menos provável que nos anos anteriores.
E entretanto a bolha da dívida pública continua... até explodir
sábado, 5 de novembro de 2016
BCP com queda superior a 60% desde o início do ano
O BCP caiu cerca de 65% desde o início do ano. A acção continua a perder valor e o fim dessa queda ainda não parece à vista. A banca portuguesa precisa de ser recapitalizada de forma sistémica e sofre de graves problemas. O mal parado na banca é colossal.
O gráfico semanal é assustador e mostra bem a perda de valor do banco
O gráfico diário é menos assustador mas mostra que a tendência continua descendente e que as perspectivas para o banco são más.
Do ponto de vista técnico, é provável uma visita a mínimos. Pelo menos é o que espero. Se faremos mínimos mais baixos, o futuro o dirá. Veremos que soluções serão tomadas sobre o BCP mas certamente este será dependente de outras entidades, públicas ou privadas. Aumento de capital, OPA, ajuda estatal ou limpeza de mal parado são algumas alternativas de que se fala há algum tempo.
Veremos que futuro nos reserva este banco. Por enquanto não há razões para esperar um final feliz..
O gráfico semanal é assustador e mostra bem a perda de valor do banco
O gráfico diário é menos assustador mas mostra que a tendência continua descendente e que as perspectivas para o banco são más.
Do ponto de vista técnico, é provável uma visita a mínimos. Pelo menos é o que espero. Se faremos mínimos mais baixos, o futuro o dirá. Veremos que soluções serão tomadas sobre o BCP mas certamente este será dependente de outras entidades, públicas ou privadas. Aumento de capital, OPA, ajuda estatal ou limpeza de mal parado são algumas alternativas de que se fala há algum tempo.
Veremos que futuro nos reserva este banco. Por enquanto não há razões para esperar um final feliz..
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Evolução da dívida pública sem surpresas
A dívida pública portuguesa evoluiu durante o ano de 2016 de forma estável. Nos últimos anos a dívida pública tem aumentado em média de 10 a 12 mil milhões de euros. Este ano não foi excepção. Desde o início do ano e até setembro, a dívida pública aumentou em 9448 milhões de euros.
Enquanto isso, o crescimento do PIB deverá crescer cerca de 1%, crescimento este muito inferior ao do crescimento da dívida. Isto também ocorre conforme esperado.
Tudo na mesma, portanto. A bolha da dívida vai crescendo e ninguém se preocupará com isso enquanto o BCE mantiver a política atual. Quando esta mudar, chegará a hora de passar à caixa e pagar os juros dessa bolha.
Que a festa continue...
Tudo na mesma, portanto. A bolha da dívida vai crescendo e ninguém se preocupará com isso enquanto o BCE mantiver a política atual. Quando esta mudar, chegará a hora de passar à caixa e pagar os juros dessa bolha.
Que a festa continue...
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
A evolução natural da dívida portuguesa
Como ainda ontem escrevi, já falta pouco para chegarmos aos 150% de divida pública em percentagem do PIB.
Ficam aqui os dados divulgados pelo Eurostat
Entretanto, num ano acrescentaram-se 12 mil milhões à dívida portuguesa.
Ficam aqui os dados divulgados pelo Eurostat
Entretanto, num ano acrescentaram-se 12 mil milhões à dívida portuguesa.
domingo, 23 de outubro de 2016
O peso da dívida no crescimento
Fazendo cálculos rápidos sobre o crescimento e a evolução do défice constata-se o seguinte:
1) o défice público raramente tem sido inferior a 5 mil milhões desde o ano 2000 como mostra a tabela seguinte
2) o crescimento do PIB em termos nominais raramente tem excedido os 6 mil milhões. Ainda por cima, o crescimento tem sido negativo nalguns anos como mostra a tabela
Se estimarmos o défice público para os próximos anos em 6 mil milhôes (a média dos anos anteriores ficou bem acima disso) seria necessário Portugal crescer sensivelmente 3% ao ano para fazer face ao défice para não aumentar o peso da dívida (estimando uma taxa de juro próxima dos zero).
Como os 3% de crescimento são altamente improváveis, resta controlar o défice para não aumentar o peso da divida para os próximos anos.
Pouco provável, portanto, que a percentagem de dívida em relação ao PIB não aumente nos próximos anos. Caminhamos alegremente para os 150% de dívida em relação ao PIB. Um fardo demasiado pesado para o crescimento.
1) o défice público raramente tem sido inferior a 5 mil milhões desde o ano 2000 como mostra a tabela seguinte
2) o crescimento do PIB em termos nominais raramente tem excedido os 6 mil milhões. Ainda por cima, o crescimento tem sido negativo nalguns anos como mostra a tabela
Se estimarmos o défice público para os próximos anos em 6 mil milhôes (a média dos anos anteriores ficou bem acima disso) seria necessário Portugal crescer sensivelmente 3% ao ano para fazer face ao défice para não aumentar o peso da dívida (estimando uma taxa de juro próxima dos zero).
Como os 3% de crescimento são altamente improváveis, resta controlar o défice para não aumentar o peso da divida para os próximos anos.
Pouco provável, portanto, que a percentagem de dívida em relação ao PIB não aumente nos próximos anos. Caminhamos alegremente para os 150% de dívida em relação ao PIB. Um fardo demasiado pesado para o crescimento.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
A luta dos taxistas, a educação e a saúde...
Qual a semelhança entre os taxistas, as escolas e o SNS? Existe pelo menos uma grande semelhança. Esses serviços, ao contrário daquilo que se possa imaginar não visam assegurar aquilo que a maior parte das pessoas pensa. A falta de concorrência nesses sectores não favorece os clientes. Favorece as corporações.
Quando se olha para a escola pública ou as unidades públicas de saúde e a sua distribuição ao longo do país, percebemos que a maior parte dos cidadãos recorre aos serviços públicos em detrimento do privado. Isto acontece por questões económicas, de resistência à mudança e por falta de recursos privados em muitas zonas.
Mas o problema não reside aqui. O problema reside no facto de que tanto nas escolas públicas como nas unidades de saúde públicas, os trabalhadores terem a garantia de obterem clientes independentemente da qualidade de serviço. Logo que existam pessoas na área deográfica adequada o que está, à partida garantido, têm garantia de ter os seus clientes. Para quê então, trabalhar melhor ou mais depressa?
A manifestação dos taxistas e uma certa revolta pelo comportamento que estes apresentaram no último dia de marcha lenta foram patentes. Esperemos que agora as pessoas se indignem contra o sistema público de saúde e educação que promovem monopólios geográficos (monopólios diferentes dos taxistas, mas monopólios) e favorecem a falta de qualidade desses serviços. Enquanto não puder existir uma verdadeira concorrência entre públicos e privados, resta promover a concorrência entre serviços públicos para garantir que o cliente é o elo mais importante desses serviços.
Liberalizar-se a escolha da escola e das unidades de saúde ao qual o cliente pretende recorrer é o desejável para garantir a qualidade dos respetivos serviços. Para quem defende o contrário, digo-lhe para ir fazer as suas compras no supermercado da sua zona de residência e não ao que ele mais gosta. Compre o carro no stand da sua zona de residência. Nem pense em comprar o carro que quer noutra zona de residência. Compra aquela marca e pronto. Afinal está na sua zona de residência como o hospital ou a escola.
Quando se olha para a escola pública ou as unidades públicas de saúde e a sua distribuição ao longo do país, percebemos que a maior parte dos cidadãos recorre aos serviços públicos em detrimento do privado. Isto acontece por questões económicas, de resistência à mudança e por falta de recursos privados em muitas zonas.
Mas o problema não reside aqui. O problema reside no facto de que tanto nas escolas públicas como nas unidades de saúde públicas, os trabalhadores terem a garantia de obterem clientes independentemente da qualidade de serviço. Logo que existam pessoas na área deográfica adequada o que está, à partida garantido, têm garantia de ter os seus clientes. Para quê então, trabalhar melhor ou mais depressa?
A manifestação dos taxistas e uma certa revolta pelo comportamento que estes apresentaram no último dia de marcha lenta foram patentes. Esperemos que agora as pessoas se indignem contra o sistema público de saúde e educação que promovem monopólios geográficos (monopólios diferentes dos taxistas, mas monopólios) e favorecem a falta de qualidade desses serviços. Enquanto não puder existir uma verdadeira concorrência entre públicos e privados, resta promover a concorrência entre serviços públicos para garantir que o cliente é o elo mais importante desses serviços.
Liberalizar-se a escolha da escola e das unidades de saúde ao qual o cliente pretende recorrer é o desejável para garantir a qualidade dos respetivos serviços. Para quem defende o contrário, digo-lhe para ir fazer as suas compras no supermercado da sua zona de residência e não ao que ele mais gosta. Compre o carro no stand da sua zona de residência. Nem pense em comprar o carro que quer noutra zona de residência. Compra aquela marca e pronto. Afinal está na sua zona de residência como o hospital ou a escola.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Resistência nos juros a 10 anos
E assim vão os juros a 10 anos
Se partir acima dos 3.50% deverá chegar aos 4% sem dificuldade. Ainda bem que o BCE está no mercado. No caso deste se lembrar de sair, os juros explodem e o país fica novamente à deriva...
Se partir acima dos 3.50% deverá chegar aos 4% sem dificuldade. Ainda bem que o BCE está no mercado. No caso deste se lembrar de sair, os juros explodem e o país fica novamente à deriva...
domingo, 18 de setembro de 2016
Portugal e as contas públicas...
Uma análise rápida aos últimos dez anos do ponto de vista das contas públicas mostra a desgraça na gestão das contas nacionais.
Comecemos por olhar para a evolução do PIB de 2005 a 2015
O PIB cresceu nesse período cerca de 20 mil milhões.
Durante esse mesmo período os défices acumulados foram de cerca de 115 mil milhões como mostra o quadro seguinte
A divida pública aumentou mais um pouco que o défice público, ou seja, cerca de 130 mil milhões
Entretanto, os políticos portugueses e os media falam com orgulho de um défice inferior a 3% do PIB. Nunca se falou de orçamentos que visam obter excedentes públicos. Nunca se viu o problema em profundidade. Estes números mostram o quanto são irresponsáveis os governantes e o quanto a população se desinteressa da economia tornando-se conivente com a situação. Portugal caminha alegremente para a próxima crise...
Comecemos por olhar para a evolução do PIB de 2005 a 2015
O PIB cresceu nesse período cerca de 20 mil milhões.
Durante esse mesmo período os défices acumulados foram de cerca de 115 mil milhões como mostra o quadro seguinte
A divida pública aumentou mais um pouco que o défice público, ou seja, cerca de 130 mil milhões
Entretanto, os políticos portugueses e os media falam com orgulho de um défice inferior a 3% do PIB. Nunca se falou de orçamentos que visam obter excedentes públicos. Nunca se viu o problema em profundidade. Estes números mostram o quanto são irresponsáveis os governantes e o quanto a população se desinteressa da economia tornando-se conivente com a situação. Portugal caminha alegremente para a próxima crise...
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Dívida? Quem vier a seguir que pague!
Fala-se muito no défice e muito pouco na dívida. O défice é importante por questões de cumprimento de normas de política europeia. Se olharmos só para esse valor em percentagem do PIB corremos o risco de ser facilmente enganados. Excluem-se um conjunto de operações para embelezar os números.
Olhemos para o seguinte gráfico
Não há dúvida sobre a tendência da dívida em vigor. Estável e a subir. Mesmo partindo do pressuposto que o Estado não queira pagar a dívida mas pague só os juros da mesma, a tendência é preocupante. Quando a intervenção do BCE deixar de existir, a ressaca vai ser brutal. Uma parte importante do PIB será para pagar juros.
Olhemos agora para este quadro:
Num ano, a dívida portuguesa cresceu mais de 12 mil milhões. Mesmo a pagar só os juros, estamos a acelerar contra um muro. É o resultado de défices ano após ano. Estamos a hipotecar o nosso futuro e continuamos como se nada fosse. O lema é quem vier a seguir que feche a porta.
Olhemos para o seguinte gráfico
Não há dúvida sobre a tendência da dívida em vigor. Estável e a subir. Mesmo partindo do pressuposto que o Estado não queira pagar a dívida mas pague só os juros da mesma, a tendência é preocupante. Quando a intervenção do BCE deixar de existir, a ressaca vai ser brutal. Uma parte importante do PIB será para pagar juros.
Olhemos agora para este quadro:
Num ano, a dívida portuguesa cresceu mais de 12 mil milhões. Mesmo a pagar só os juros, estamos a acelerar contra um muro. É o resultado de défices ano após ano. Estamos a hipotecar o nosso futuro e continuamos como se nada fosse. O lema é quem vier a seguir que feche a porta.
domingo, 21 de agosto de 2016
Portugal, o país das não medalhas
A poucas horas de terminarem os jogos olimpicos, pode diuer-se que Portugal teve uma participação discreta nos jogos olimpicos 2016. Isto é o reflexo da falta de cultura de prática desportiva e de uma falta de organização e estrutaras de apoio aos atletas.
Quando comparamos Portugal com países da mesma dimensão e com capacidades similares, Portugal está muito aquém. Para citar alguns, Holanda - 18 medalhas, Hungria - 15 medalhas, Croácia - 10 medalhas, Grécia 6, Portugal uma medalha.
Como noutras áreas, sem um profundo investimento e reflexão sobre as coisas não se conseguem alcançar resultados. Os atletas fazem o que podem mas sem condições idênticas nunca poderão estar nos pódios a competir de igual para igual.
E na economia, na política, na qualidade dos media também há poucos medalhados e quando eles existem eles vão para fora. O povo português tem, em grande parte, culpa do que se passa, pois tudo é motivo de festa e os problemas dos outros não são os meus. A falta de capacidade crítica em relação a coisas do dia a dia é constrangedora e sem a pressão do povo nada mudará. Os políticos e os media continuarão a enganar alegremente a malta e o pessoal a assobiar para o lado e a empurrar os problemas com a barriga. Aliás, penso escrever algo sobre o comportamento dos media em Portugal nos próximos tempos.
Quando comparamos Portugal com países da mesma dimensão e com capacidades similares, Portugal está muito aquém. Para citar alguns, Holanda - 18 medalhas, Hungria - 15 medalhas, Croácia - 10 medalhas, Grécia 6, Portugal uma medalha.
Como noutras áreas, sem um profundo investimento e reflexão sobre as coisas não se conseguem alcançar resultados. Os atletas fazem o que podem mas sem condições idênticas nunca poderão estar nos pódios a competir de igual para igual.
E na economia, na política, na qualidade dos media também há poucos medalhados e quando eles existem eles vão para fora. O povo português tem, em grande parte, culpa do que se passa, pois tudo é motivo de festa e os problemas dos outros não são os meus. A falta de capacidade crítica em relação a coisas do dia a dia é constrangedora e sem a pressão do povo nada mudará. Os políticos e os media continuarão a enganar alegremente a malta e o pessoal a assobiar para o lado e a empurrar os problemas com a barriga. Aliás, penso escrever algo sobre o comportamento dos media em Portugal nos próximos tempos.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
O consumidor em Portugal
O perfil do consumidor em Portugal parece ter-se modificado nos últimos anos. Para o efeito, tenho algumas dificuldades em perceber a razão deste consumo que parece exagerado quando comparado com a poupança das famílias.
Vejamos alguns gráficos dos últimos 10 anos. Antes de mais olhemos para a evolução dos gastos dos consumidores nos últimos anos.
Verificamos que entre 2006 e 2011, o consumo parece estável com uma ligeira tendência de subida. A partir de 2011 e até 2013, o consumo cai abruptamente associado à recessão e recupera de modo interessante e continuo até ao momento presente. Até agora, nada parece estranho.
Olhemos agora para a evoluçâo do crédito ao consumidor. Este atingiu um pico em 2011 e desde então tem vindo a decrescer.
Percebemos que a partir de 2011, o crédito ao consumidor continua a descer mesmo quando se dá o aumento do consumo em 2013. A parte boa é que o consumo voltou a subir sem, no entanto, aumentar o crédito.
Até agora não encontro grandes problemas no que está descrito. Mas, há sempre uma mas...
A poupança das familias não pára de cair desde 2014 e está em niveis baixissimos. Os últimos dados mostram-nos que é poupado apenas 3,5% do rendimento. A poupança nunca foi tão baixa desde que há dados.
O consumo tem pouca margem de progressão em Portugal e, portanto, a estratégia política adoptada de basear o crescimento da economia no aumento do consumo não parece ser boa. A única maneira do consumo aumentar parece ser o de aumentar o endividamento das famílias porque já não existe praticamente poupança. Esta parece ter fugido em boa parte para consumir, pelo menos nos últimos 2 a 3 anos.
Não deixa de ser extremamente preocupante este nível baixissimo de poupança que nunca tinha atingido estes valores.
Ainda assim, é de realçar que a divida das familias em percentagem do PIB tem estado a baixar de forma significativa desde o fim de 2013. Ainda que estes valores estejam indexados ao PIB, a tendência é bastante forte. Afinal, nem tudo são más noticias...
Vejamos alguns gráficos dos últimos 10 anos. Antes de mais olhemos para a evolução dos gastos dos consumidores nos últimos anos.
Verificamos que entre 2006 e 2011, o consumo parece estável com uma ligeira tendência de subida. A partir de 2011 e até 2013, o consumo cai abruptamente associado à recessão e recupera de modo interessante e continuo até ao momento presente. Até agora, nada parece estranho.
Olhemos agora para a evoluçâo do crédito ao consumidor. Este atingiu um pico em 2011 e desde então tem vindo a decrescer.
Percebemos que a partir de 2011, o crédito ao consumidor continua a descer mesmo quando se dá o aumento do consumo em 2013. A parte boa é que o consumo voltou a subir sem, no entanto, aumentar o crédito.
Até agora não encontro grandes problemas no que está descrito. Mas, há sempre uma mas...
A poupança das familias não pára de cair desde 2014 e está em niveis baixissimos. Os últimos dados mostram-nos que é poupado apenas 3,5% do rendimento. A poupança nunca foi tão baixa desde que há dados.
O consumo tem pouca margem de progressão em Portugal e, portanto, a estratégia política adoptada de basear o crescimento da economia no aumento do consumo não parece ser boa. A única maneira do consumo aumentar parece ser o de aumentar o endividamento das famílias porque já não existe praticamente poupança. Esta parece ter fugido em boa parte para consumir, pelo menos nos últimos 2 a 3 anos.
Não deixa de ser extremamente preocupante este nível baixissimo de poupança que nunca tinha atingido estes valores.
Ainda assim, é de realçar que a divida das familias em percentagem do PIB tem estado a baixar de forma significativa desde o fim de 2013. Ainda que estes valores estejam indexados ao PIB, a tendência é bastante forte. Afinal, nem tudo são más noticias...
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Os otimistas dizem que o BCP não pode cair mais do que 2 cêntimos...
Enquanto muitos tentam aproveitar os dias de sol e ir à praia, outros preferem ver os jogos de futebol do euro. Enquanto isso, o BCP continua o seu caminho lento e agónico para a decadência. A queda do BCP é estrondosa. Os media falam de dias de queda de 5 a 10% como se fosse uma normalidade. Parece que já se habituaram e essa anormalidade virou normal.
Comecemos por olhar para o gráfico semanal que se segue
Os minimos de 2012 foram recentemente ultrapassados. Aliás, muito recentemente. Tão recentemente que foi há menos de um mês. O BCP confirma assim que a queda ainda está para durar mesmo se alguns ressaltos importantes podem e devem acontecer. Em apenas 3 semanas, o BCP caiu um pouco mais de 30%. Não se vê da parte dos media, do governo ou de outras entidades públicas qualquer referência à situação. Normalmente diz-se que depois da tempestade vem a bonança. Neste caso acho que a bonança chegou antes da tempestade e a tempestade ameaça ser grande.
Olhemos agora para o gráfico diário
A vermelho está sinalizado o suporte dos mínimos de 2012 que foi quebrado de forma clara. O título confirma a tendência descendente neste horizonte temporal como no gráfico semanal e continua sob pressão enquanto não quebrar em alta a linha de tendência descendente. Mas uma quebra em alta dessa linha de tendência descendente não significará automaticamente uma inversão da tendência. Serão necessários outros sinais.
Por enquanto, o RSI está sobrevendido mas ainda não mostra sinais evidentes de divergência com o preço. A tendência descendente é, por isso, sã.
Comparemos agora a evolução do BCP no último ano quando comparada com a do indice português.
A azul está o BCP e a castanho o indice português. O BCP caiu muito mais do que o indice português o que mostra bem o estado atual do banco. Algo de muito grave se passou no banco. Algo de muito grave se passa no banco.
Como já referi noutro artigo, o BCP não escapará a uma das situações seguintes:
1) Falência encapotada por ajudas estatais ou de organismos internacionais. Ficamos à mercê de uma decisão política. .
2) Fusão ou aquisição com outra entidade a preço de saldo, pois ninguém quer o BCP como um todo. Essa fusão implicaria provavelmente uma sepração de ativos do resto do lixo que o BCP tem e que deve ser mais que muito.
Em qualquer dos casos, o BCP não poderá cair mais do que 2 cêntimos a menos que sejam utilizados certos artifícios legais como um reverse stock split.
O BCP vai mal. A banca em Portugal não vai nada bem e o país vai ressentir-se disso. Mas enquanto houver bom tempo, futebol, seleção e Cristiano Ronaldo tudo vai bem no campo. A fatura está a ser impressa. Falta saber qual é a data de pagamento e qual vai ser o seu valor.
Comecemos por olhar para o gráfico semanal que se segue
Os minimos de 2012 foram recentemente ultrapassados. Aliás, muito recentemente. Tão recentemente que foi há menos de um mês. O BCP confirma assim que a queda ainda está para durar mesmo se alguns ressaltos importantes podem e devem acontecer. Em apenas 3 semanas, o BCP caiu um pouco mais de 30%. Não se vê da parte dos media, do governo ou de outras entidades públicas qualquer referência à situação. Normalmente diz-se que depois da tempestade vem a bonança. Neste caso acho que a bonança chegou antes da tempestade e a tempestade ameaça ser grande.
Olhemos agora para o gráfico diário
A vermelho está sinalizado o suporte dos mínimos de 2012 que foi quebrado de forma clara. O título confirma a tendência descendente neste horizonte temporal como no gráfico semanal e continua sob pressão enquanto não quebrar em alta a linha de tendência descendente. Mas uma quebra em alta dessa linha de tendência descendente não significará automaticamente uma inversão da tendência. Serão necessários outros sinais.
Por enquanto, o RSI está sobrevendido mas ainda não mostra sinais evidentes de divergência com o preço. A tendência descendente é, por isso, sã.
Comparemos agora a evolução do BCP no último ano quando comparada com a do indice português.
A azul está o BCP e a castanho o indice português. O BCP caiu muito mais do que o indice português o que mostra bem o estado atual do banco. Algo de muito grave se passou no banco. Algo de muito grave se passa no banco.
Como já referi noutro artigo, o BCP não escapará a uma das situações seguintes:
1) Falência encapotada por ajudas estatais ou de organismos internacionais. Ficamos à mercê de uma decisão política. .
2) Fusão ou aquisição com outra entidade a preço de saldo, pois ninguém quer o BCP como um todo. Essa fusão implicaria provavelmente uma sepração de ativos do resto do lixo que o BCP tem e que deve ser mais que muito.
Em qualquer dos casos, o BCP não poderá cair mais do que 2 cêntimos a menos que sejam utilizados certos artifícios legais como um reverse stock split.
O BCP vai mal. A banca em Portugal não vai nada bem e o país vai ressentir-se disso. Mas enquanto houver bom tempo, futebol, seleção e Cristiano Ronaldo tudo vai bem no campo. A fatura está a ser impressa. Falta saber qual é a data de pagamento e qual vai ser o seu valor.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
A performance do PSI
Fica aqui a performance do PSI 20 comparada com o DAX nos últimos 5 anos. A azul está o mercado alemão que subiu quase tanto como desceu o mercado português nesse mesmo período...
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Os riscos da NIRP...
NIRP - Negative Interest Rate Policy parece ter chegado para ficar. É uma experiência cujos resultados todos ignoram. Essa política utilizada pelos bancos centrais para dinamizar a economia comporta sérios riscos. Desde logo, muda a percepção de que ganhar dinheiro pressupõe algo em troca na medida em que as taxas de juro são muito atrativas.
O crescimento económico não é assim tão estrondoso como se poderia esperar e nem a inflação descola. Basta pensar que se a economia não cresce assim tanto mesmo com as decisões dos bancos centrais, então quanto cresceria num mercado livre e normal?
Quanto aos aforradores que pretendem investir o seu dinheiro, as coisas não estão propicias. Correm-se riscos para pouca rentabilidade e quando o mercado regressar à normalidade, será a hora de pagar pelo prémio de risco assumido. Por outro lado, o ambiente é propicio a bolhas. Os fundos sentem necessidade de alocar o seu dinheiro nalguma coisa. As obrigações sem risco dão prejuízo e as que têm risco dão baixos retornos. O mercado accionista lateraliza (nos USA). O mercado imobiliário não está extraordinário. Enfim...
Estranho mundo este que se encontra em transformação. Mais do que nunca, teremos de aprender a viver com taxas de juro baixas, crescimentos anémicos, um desemprego relativamente alto e com um sistema de segurança social à beira da falência. Alguns países poderão aproveitar para se reformarem e outros para gastarem mais do que podem. Deixo-vos adivinhar que lado escolheu Portugal...
O crescimento económico não é assim tão estrondoso como se poderia esperar e nem a inflação descola. Basta pensar que se a economia não cresce assim tanto mesmo com as decisões dos bancos centrais, então quanto cresceria num mercado livre e normal?
Quanto aos aforradores que pretendem investir o seu dinheiro, as coisas não estão propicias. Correm-se riscos para pouca rentabilidade e quando o mercado regressar à normalidade, será a hora de pagar pelo prémio de risco assumido. Por outro lado, o ambiente é propicio a bolhas. Os fundos sentem necessidade de alocar o seu dinheiro nalguma coisa. As obrigações sem risco dão prejuízo e as que têm risco dão baixos retornos. O mercado accionista lateraliza (nos USA). O mercado imobiliário não está extraordinário. Enfim...
Estranho mundo este que se encontra em transformação. Mais do que nunca, teremos de aprender a viver com taxas de juro baixas, crescimentos anémicos, um desemprego relativamente alto e com um sistema de segurança social à beira da falência. Alguns países poderão aproveitar para se reformarem e outros para gastarem mais do que podem. Deixo-vos adivinhar que lado escolheu Portugal...
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